A voz do recepcionista deteve-o a meio caminho do elevador e Renshaw voltou-se, impaciente, passando a maleta de vôo de uma mão para outra. O envelope em seu bolso, cheio de notas de vinte e cinqüenta dólares, estalou audivelmente. O trabalho correra bom e o pagamento fora excelente ― mesmo depois da redução dos 15% de comissão cobrados pela Organização como taxa de agenciamento. Agora, tudo que ele queria era um chuveiro quente, um gim-tônica e dormir.
― O que é?
― Uma encomenda, senhor. Quer assinar o recibo, por favor?
Renshaw assinou e fitou pensativamente o pacote retangular. Seu nome e endereço estavam escritos na etiqueta gomada, numa caligrafia inclinada que lhe parecia familiar.
Balançou o pacote sobre a superfície imitando mármore do balcão e algo produziu um leve ruído metálico lá dentro.
― Quer que eu mande levar lá em cima, Sr. Renshaw?
― Não. Está bem assim.
O pacote tinha cerca de meio metro de comprimento e se ajustava um tanto desajeitadamente sob seu braço. Renshaw deixou-o sobre o espesso tapete que cobria o chão do elevador e girou a sua chave na abertura correspondente ao apartamento de cobertura, que ficava acima dos botões dos andares normais. O elevador subiu, silencioso e macio. Renshaw fechou os olhos e reviu o trabalho na tela escura de sua mente.