quarta-feira, 14 de maio de 2014

A Máscara do Mau

Um domingo como outro qualquer, talvez um pouco nublado, cinza.

Roberto e a família: o filho caçula Mauro, a filha adolescente Roberta e a mulher Lidia, resolveram passar o domingo na casa de praia da família, ele tinha uma surpresa de amor, o Engenheiro festejava o aniversário de casamento, porém em uma escolha surpreendente a mulher preferiu passar na casa de praia de praia, herança dos pais dela.

Roberto odiava aquela casa, anos atrás ocorreu um evento muito triste, Lidia e ele era simples namorados, um evento que ele queria esquecer para sempre, estranhamente isso não afetava a mulher que adorava a casa, eles nunca se entenderam sobre a casa, recentemente um amigo da família, senhor Conrado fez uma proposta e Roberto esperava a decisão de Lidia.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Sou Melhor Do Que Você

Nicki não se encontrava em casa quando houve o telefonema. Sua colega de apartamento estava excitada demais para apresentar um relatório coerente. Ela não tinha muita certeza do lugar em que o Sr. Wolfe vira Nicki atuar: se na peça da temporada de verão, na aparição de dois minutos em Gypsy ou no comercial de televisão para um aspirador. Mas que diferença isso podia fazer? Nicki deveria apresentar-se no Broadhurst Theatre, às 4 em ponto, se quisesse ter uma audiência. Nicki ficou tão excitada que saiu da pensão sem nem mesmo passar um pente pelos cabelos louros emaranhados. Percorreu a pé os 13 quarteirões até o teatro, não querendo permitir-se a indulgência de um táxi. Poderia conseguir um lugar na peça, é certo, mas o elenco vinha sendo escolhido há mais de um mês e agora só deveriam restar os papéis secundários.

Havia apenas cinco pessoas no palco quando Nicki chegou. Quatro mal a olharam quando ela avançou, hesitante, até a frente do palco. O quinto, um homem de aparência ainda jovem, o rosto ossudo, vestindo um pulôver, aproximou-se dela, sorrindo. Nicki sabia que era Wolfe, o diretor, importado de um teatro dos subúrbios, em sua estréia na Broadway, com uma nova comédia.

— Eu a conheço — disse ele. — Você é Nicki Porter. Obrigado por ter vindo.

— Eu é que lhe agradeço — disse Nicki tímida, usando sua voz rouca e sonora.

Nicki não era extraordinariamente bonita nem mesmo provocantemente comum. A sua melhor característica era a voz.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O Quarto Vazio


O portão rangeu, com um suave queixume feminino, quando eleo fechou, depois de passar. O barulho fê-lo parar por um momento no caminho e olhar para a casa. A casa estava às escuras, avultando sombriamente na noite escura. Ele se perguntou se ela não estaria acordada, se o rangido do portão por acaso não a despertara. Mas realmente não se importava. As coisas já tinham ido tão longe que ele já não mais se importava com coisa alguma. As cenas estavam começando a deixá-lo nervoso demais. Já não mais agüentava as constantes repetições, as acusações (que não mais se dava ao trabalho de negar), as censuras intermináveis. Ele subiu pelo caminho e pelos degraus da varanda, tirando a chave do bolso. Entrou na casa, fechando a porta. E no mesmo instante sentiu a hostilidade, o ódio gerado pela presença dela, pelo ressentimento constante dela.

quarta-feira, 26 de março de 2014

A Armadilha


Os Emory Sinclair deveriam ser felizes. Eram donos da casa em que moravam, na Rua 70-Leste, em Nova York, possuíam uma suntuosa casa de veraneio em Palm Beach e mal podiam contar todo o dinheiro que tinham. Mas Emory Sinclair, depois de ter ganhado uma fortuna antes de completar 35 anos, estava procurando dobrá-la, antes de chegar aos 45 anos. Helen Sinclair, negligenciada e entediada, passava os dias em dispendiosos salões de beleza, sendo massageada, embelezada e posta em forma. Embora ela tivesse 36, parecia ainda não ter chegado à casa dos 30 anos.

Tudo poderia ter corrido bem, se Emory Sinclair não tivesse despedido a sua secretária. Mas ele a despediu, convencido de que todas as mulheres eram idiotas congênitas, contratando Paul Fenton para substituí- la. A Sra. Sinclair não demorou a descobrir que o jovem era solteiro e muito atraente.

De um quarto no terceiro andar da casa da Rua 70-Leste, a que chamava de gabinete, Emory Sinclair negociava com moedas estrangeiras. Movimentando seu imenso capital ao redor do mundo, ele jogava nas notícias de um governo prestes a cair, um ditador assassinado, uma colheita fracassada. E insistia para que seu secretário particular morasse na mesma casa.

quinta-feira, 6 de março de 2014

A Máquina de Passar Roupa - Stephen King




O Guarda Hunton chegou à lavanderia quando a ambulância já partia ― devagar, sem sereias ou luzes piscando. Mau presságio. Lá dentro, o escritório estava abarrotado de pessoas inquietas e caladas, algumas das quais choravam. A lavanderia propriamente dita estava vazia; as grandes lavadoras automáticas na extremidade oposta nem mesmo tinham sido fechadas. Aquilo fez Hunton ficar muito atento. A multidão devia estar no local do acidente, não no escritório. Era o que costumava acontecer: o animal humano possuía uma compulsividade inata para ver os restos mortais. Então, fora coisa muitíssimo séria. Hunton

sentiu um aperto no estômago, como sempre acontecia quando o acidente era muito grave.Quatorze anos de remover restos humanos de rodovias, ruas, sarjetas em frente a arranhacéus altíssimos não haviam conseguido eliminar aquela leve contração na barriga, como se alguma coisa maléfica se tivesse coagulado ali.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

O Ritual


Depois do que aconteceu com o espelho, ainda me dá calafrios quando lembro daquela coisa escura passando a janela tomando rumo ao céu e sendo apagada por um relâmpago. Mas, isso não foi tão assustador quanto o que me aconteceu dias depois ao ir visitar um amigo. Daniel é um velho amigo, costumamos debater sobre as questões sobrenaturais, alongamos horas e horas nesse assunto. Ele mora pouco distante de Capela, minha pacata cidade, e para visitá-lo eu preciso da ajuda de Atal, meu velho e amado fusca.

Era manhã de domingo por volta de 9 horas, o céu continha algumas nuvens que se alternavam a sobrepor o Sol, amenizando um pouco o calor. Em frente a minha casa, famílias passavam rumo a igreja, o velho hábito das missas de domingo, eu também costumo ir, mas como esse domingo resolvi visitar Daniel, apenas cumprimentava meus conhecidos que passavam.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O Espelho


Algumas pessoas não acreditam em magia negra, espiritismo, exotismo, coisas assim. Mas algumas das minhas aventuras, até hoje, ainda não são entendidas. Incógnitas, interrogações que por mais que se tente, parece impossível conseguir a resposta. Ah! meu perdão, não me apresentei, meu nome é Adonias, sou um caçador de paranormalidade, adoro lidar com o sobrenatural, mas confesso que não sei dizer se é real ou não tudo isso. Bem, como estava dizendo, já me deparei com muita coisa estranha, mas hoje vou contar pra vocês sobre um espelho, é um espelho, a minha primeira aventura de muitas, vem comigo.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A Casa dos Fundos

Eu não me achava gostosinha aos 16 anos. Mas cheguei a ficar convencida quando ele me lançou aquele olhar canibal. Eu passara o sábado todo de pijama, shortinho curto e tal – na varanda da minha casa, qual é? Não deveria ser um problema.

Fazia calor e fui pegar um pouco de sol enquanto tomava o café da tarde. Quase larguei o copo de suco e o pão no chão quando dei de cara com o sujeito parado ali na sacada, apoiado na grade frouxa que podia ceder a qualquer momento, fumando e me encarando como se estivéssemos prestes a ir para a cama juntos.

– Quem é você? – perguntei, embora o impulso inicial fosse berrar por meu pai.

O mané riu debochado. Vá lá, não era mané. Era um exagero de homem. Não pude evitar encará-lo de volta. Cabelos pretos jogados na testa, pele tostada, olhos cor de cerveja que não pareciam ser realmente daquele rosto. Jeans, camiseta justa, básico, no ponto. Jogou sua bituca no chão e apagou-a com o pé. E respondeu:

– Talvez a resposta às suas preces?